Ultimamente a convite de um amigo meu a ler o seu blog, eu fi-lo com gosto pois ao contrário de quase todos os ateistas que conheço não me senti insultado por nada do que lá estava escrito, mas a resposta dos "quase todos" ateistas não se fez esperar. Eu não me estava a apetecer muito transformar o meu blog numa concentração de artigos religiosos mas vou escrever só mais um para dissipar algumas interpretações erradas do que foi escrito por mim.
In Tiny Aleph
"Uma coisa que tenho a dizer a respeito de quase todos os Ateus com quem interajo que assumem ser ateus, são pessoas deselegantes no seu discurso e dotados de uma arrogância fantástica a respeito da Humanidade."
A palavra quase, não é sujeita a interpretação, significa exactamente aquilo que significa. Um resposta a este meu post que não se fez demorar foi a seguinte
In www.heldersanches.com em "E então, nada!"
"Agravada fica a coisa, quando se rotula de inteligente este jovem Bizarro, do qual não é só o pseudónimo. Não me lembro de deparar na internet com tanta diarreia mental concentrada em tão poucos bytes."
Fico contente por verificar que não usei um significado incorrecto às palavras arrogantes e deselegantes. É sempre bom saber que se tem razão.
In www.heldersances.com por Xiquinho
"só existem duas espécies de crentes, ou tolos ou oportunistas, de forma que isto de chamar a uma pessoa simultaneamente inteligente e crente é coisa que pura e simplesmente só existe no mundo da ficção mentirosa."
Eu até considerava Einstein e Bohr pessoas inteligentes, entre outras que não vou mencionar, é triste saber que me enganei.
In www.heldersanches.com por Xiquinho
"o jovem (que de outra idade não o imagino a avaliar pelos disparates que escreve) Bizarro condena a Ciência, mas não se coibe de a utilizar para fazer a apologia de uma instituição, que depois de passar vinte séculos a practicar as maiores ignomias, dedica-se agora à assistência social para melhor camufular o vazio que é a sua utilidade; já nasceu com os memes estragados." (praticar) (camuflar)
Eu nunca condenei a Ciência em nada do que disse, apenas disse que se a religião é uma virose memética, a ciência é pelo menos tão viral, e no contexto em que disse isso, fui obrigado a tal, pois considerar a ciência como uma "virose boazinha" em relação à religião não vejo porquê, com tantos exemplos de como a ciência prejudica tanta coisa (ao mesmo tempo que ajuda). Eu apesar de religioso (numa religião que nem disse qual era e foi logo pressuposta) adoro a ciência, e coloco a ciência à frente de qualquer religiosidade, mas não sou fanático nem extremista em relação a qualquer uma das duas. Ao contrário daquilo que são a maioria dos Ateus. E para mais, estudos científicos revelam que a esperança média de vida dos religiosos é superior à dos não religiosos (realmente sou pouco inteligente, porque raio vou ser religioso, numa religião que nem mencionei, se me vai aumentar a esperança média de vida). A religião tem o chamado efeito placebo nas pessoas. Eu simplesmente recuso-me a não ter esperança em nada quando tudo o mais falha, talvez esteja a ser oportunista, mas acho que não, apenas estou a usar aquilo para que serve a religião, afinal de contas não faço mal a ninguém, porque razão não posso ser religioso?
In www.heldersanches.com por Xiquinho
"Mas a cereja em cima do bolo, que o ateu (mole) Helder parece não reparar é que o jovem Bizarro não compreende que o amor existe porque se sente, ao contrario de deus que não se sente e só existe na cabeça dos tolos que nasceram com os memes corrompidos."
Acho que já tinha previsto que comentários destes viriam, mas sabe-me bem mostrar que à priori já o sabia. O amor existe porque se sente, mas Deus já não existe. Mas eu sinto Deus em várias coisas, quando estou bêbado, quando estou a comer, quando me safo de alguma enrascada, quando sou apanhado nas tramas de algo que não queria... Ou será que não sinto porque o Xiquinho não o sente? Talvez esteja a pensar que estou a sentir e não a de facto a sentir. Vou pedir a outros que me digam quando estou a sentir algo, ou que inventem um "sentimetro" e um "pensossentimetro"...
Nascer com os memes corrompidos, ora aí está algo interessante...
In www.heldersanches.com por Xiquinho
"Mas o melhor mesmo é ficar-me por aqui, antes que arrange algum problema nos maxilares…."
O que está dito está, mas lá que a forma correcta de escrever é arranje, amigo Xiquinho...
In www.heldersanches.com por Helder
"Dizes que acreditar em Deus é procurar ser melhor. Onde é que encontras essa evidência? Em que é que tu (ou qualquer outro crente) consideras que podes ser melhor que eu (ou qualquer outro ateu) pelo facto de acreditares em Deus?"
Eu nunca disse que era melhor por acreditar, nem disse que eram piores por não acreditar, numa situação limite acreditar em Deus é acreditar que existe algo melhor, não acreditar é acreditar o melhor já existe. Sim eu acredito que há algo melhor que eu, e melhor tu, e melhor que todos nós, e como acredito que há algo melhor, tenho um objectivo a atingir (em termos morais pelo menos).
In www.heldersanches.com por Helder
"Esse é um argumento que coloca o teu deus ao nível de em bule de chá em órbita do Sol entre Úrano e Neptuno, para utilizar um exemplo popular. Afinal, então, o que distingue o teu deus de todos os outros desuses em relação aos quais também és ateu? Nunca se provou a inexistência de Zeus, pois não? Ou de Rá, Osiris ou Júpiter… Que credibilidade dás aos crentes nesses deuses tão inexistentes como o teu?"
Dou a estes mesmos deuses o ónus da prova do meu Deus, eu defendo o conceito de Deus, não o Deus X, ou o Y ou até o Z, disse que era religioso, não monoteísta, eu por sorte consigo assimilar em um só conceito todos os valores que acho que correctos e relevantes, há pessoas que não o conseguem, talvez devido ao meu conceito de Deus ser imperfeito em relação ao deles. Deus não é fazer nem poder fazer, é saber escolher correctamente o que deve ser feito.
Para dissipar as duvidas quanto à minha religião, é a mesma que de quase todos os religiosos, pois todas as religiões na sua essência são iguais, o que muda são as designações e adornos que existem dentro delas.
Eu não gosto de absolutistas nem extremistas nem fundamentalistas nem deselegantes sejam eles ateístas ou religiosos.
Foi uma experiência interessante mas já acabou, não gosto muito de ser insultado, talvez seja bizarro por isso, mas pronto eu sou assim mas sou feliz :)
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2 comentários:
Einstein nunca foi religioso. Era judeu apenas de raça e não de religião. Mencionou Deus várias vezes em diversos contextos que foram rapidamente tirados desses mesmos contextos e usados para promover "agendas" religiosas. A coisa tornou-se de tal forma ridícula que Einstein viu-se obrigado por várias vezes a afirmar categoricamente que não acreditava em nenhuma espécie de Deus/ser superior/big juju in the sky/whatever. Quanto a Bohr, desconheço se era ou não religioso, é possível.
Pedro, Einstein era tão religioso como eu (com a excepção que o deus de Espinoza não pode desafiar a beber uma sagres média em 2 segundos)
Uma citação dele
"I believe in Spinoza's God who reveals himself in the orderly harmony of what exists, not in a God who concerns himself with the fates and actions of human beings."
Ao ler o livro dele eu fiquei com a distinta impressão que era um homem de religião, nunca disse qual era a dele, tal como nunca disse qual era a minha, nem nunca defini qual o meu conceito de deus, até porque ainda não o consegui definir (mas é algo que com estas argumentações eventualmente conseguirei e espero ainda escrever sobre o assunto). A religião não é a Igreja Católica, nem Muçulmana nem qualquer outra apenas, e considerar que para se ser religioso tem-se obrigatóriamente que se enquadrar dentro de tais religiões é limitador para quem quer ser religioso. Ser-se religioso é um sentimento, e deus é um conceito.
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